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Faixas de cores intercaladas vertical ou horizontalmente são utilizadas com diferentes objetivos e podem transformar os espaços

Em uma ambientação listrada, o moderno e o clássico se cruzam no intercalar das cores. Movimento, aconchego e amplitude são consequências desse casamento entre as faixas, que transforma paredes, tetos ou superfícies de móveis em atrações óticas.

Durante décadas, itens listrados eram sinônimos de insulto e heresia. Segundo o livro Pano do Diabo, do escritor francês Michel Pastoureau, não era comum intercalar tons no ocidente durante a Alta Idade Média, porque isso representava a quebra do visual puro e monocromático, associado à pureza de espírito. Uma ordem carmelita de Jerusalém, que em 1254 chegou a Paris com vestes listradas, por exemplo, gerou o maior escândalo na Europa.

Atravessando séculos, o listrado adquiriu significados diversos. Em decorrência da imagem pejorativa que ganhou, chegou a estampar os uniformes dos presidiários, embora algum tempo depois tenha se convertido em privilégio da nobreza. Em seguida, as listras verticais ganharam a missão de representar a elite, e as horizontais, os servos.

Nesse vai-e-vem cultural e ideológico, o fato é que o listrado sempre esteve em evidência de uma forma ou de outra. Sejam em paredes, almofadas ou até mesmo em móveis, as listras são bem-vindas, desde que estejam integradas a um projeto visual bem pensado.

Além de contarem com um charme especial, elas podem conferir amplitude e profundidade ao ambiente. Para a arquiteta Daniela Barranco Omairi, o listrado tem o poder de direcionar o olhar e reformular espaços. Na decoração, é um verdadeiro curinga. Para ela, não há projeto que não comporte essa opção. “Sabendo utilizá-la, podemos enfeitar desde o lavabo até a cozinha.”

Daniela orienta que, na instalação de listras, o decorador precisa dar atenção à proporção do espaço, à luminosidade e ao estilo da residência. As horizontais ajudam a tornar o teto mais baixo e aumentar o décor. As verticais, por sua vez, ampliam a área.

A designer Priscila Viana e a arquiteta Isabela Rosseto orientam que, para melhorar os efeitos do trabalho, é bom que as listras alternem cores escuras e claras no intuito de evidenciar determinados pontos, já que o contraste chama mais a atenção. Para ambientes mais sóbrios, o ideal é intercalar nuances próximas.  As profissionais acrescentam que, para não errar na hora de complementar a decoração com listras, pode-se optar pelo uso de tecidos e acabamentos lisos.

foto 20 (1)As arquitetas Denise e Carolina Leal Ribas também são adeptas às listras, mas alertam que é preciso haver equilíbrio no espaço. Quando há um tapete totalmente listrado, por exemplo, é necessário abrir mão das listras nas paredes, assim como nos estofados e almofadas.

Além da amplitude e dos efeitos visuais citados, o listrado pode servir como ferramenta de divisão dos cômodos. A arquiteta Mariana Stockler faz uso desse benefício. Quando há transição entre dois ambientes, com diferentes pisos, as listras são um ótimo recurso para sustentar visualmente a passagem. “Se utilizamos a mesma gama de cores existente no restante do espaço, tudo fica melhor ainda”, revela.

Fonte: Revista Pense Imóveis